Carlos Ribas, que era responsável da Bosch em Portugal e gestor técnico da fábrica em Braga, e outros quatro gestores de topo foram afastados, no último dia de julho do ano passado, devido a alegadas falhas graves na elaboração e execução de candidaturas a fundos europeus.
A informação é hoje avançada pelo Jornal de Negócios, segundo o qual os gestores foram despedidos com justa causa, sem direito a indemnização nem subsídio de desemprego.
De acordo com a mesma fonte, citada pelo jornal Eco, em causa estará o projeto de inovação THEIA (Automated Perception Driving), desenvolvido em parceria com a Universidade do Porto, para criar soluções que melhoram as capacidades sensoriais de veículos autónomos.
O projeto arrancou em julho de 2020 e contou com apoios públicos de cerca de 17 milhões de euros, num investimento total de 28 milhões.
O problema estaria no facto de 55 contratados para este projeto, cujos salários eram parcialmente suportados com fundos públicos, terem estado a trabalhar noutros projetos.
Carlos Ribas foi informado da questão, enviou a documentação da denúncia para o ‘compliance’ da Bosch (para apurar se as normas da empresa tinham sido cumpridas) e foi aberto um processo de investigação.
Após recebida luz verde do mesmo, foi submetido o pedido de pagamento final.
No entanto, a investigação interna da própria multinacional ao projeto acabou por ditar o afastamento dos cinco responsáveis portugueses.
Quatro deles interpuseram, agora, ações de impugnação em tribunal contra a Bosch e exigem ser indemnizados.
Ao Negócios, a multinacional alemã garante estar “fortemente comprometida” com “uma conduta empresarial ética, independentemente do cargo ou função dos colaboradores envolvidos”.
Como O MINHO noticiou, em 31 de julho de 2024, o administrador alemão Sven Ost chegou a Braga e colocou alguns quadros de topo da Bosch Portugal fora das instalações, retirando-lhes o carro e o telemóvel do grupo.
A partir de 01 de agosto de 2024, as responsabilidades assumidas por Carlos Ribas enquanto gestor técnico da fábrica de Braga passaram a ser assumidas por Carlos Jardim, anteriormente responsável pelas operações de produção e engenharia na fábrica de Cluj, na Roménia.
Javier Gonzalez Pareja, presidente da Bosch Ibéria, assumiu as responsabilidades de Carlos Ribas na sua função de representante da Bosch em Portugal.