O Conquistador Palace é um bom porto de abrigo para quem pretende tomar a Cidade Berço de assalto. Do outro lado do largo do Toural fica a porta da vila – encontra-a assinalada no chão -, a partir daí, está no Centro Histórico, Património da Humanidade.
O momento em que a cidade comemora os 20 anos da classificação do Centro Histórico como Património da Humanidade, pela UNESCO, não podia ser melhor para uma visita ao Berço. O Conquistador Palace é uma excelente opção para dormir a um passo do coração da cidade, numa guest house que junta bom gosto e tranquilidade.
“Conquistador” remete para o cognome pelo qual é conhecido o melhor tenista português de sempre na sua cidade natal. Isto porque, esta nova unidade hoteleira é um investimento do tenista João Sousa. “Na verdade, é mais paixão que investimento”, explica o próprio.

“Quando comprei o edifício a ideia era recuperá-lo, porque o meu pai tem uma grande paixão por objetos antigos e pelo restauro”. Contudo, acabaram por verificar que a casa era grande demais só para a família. “Decidimos partilhá-la, até porque sentimos que havia falta deste tipo de alojamento em Guimarães”, explica o João Sousa. O alvo do Conquistador Palace é um cliente com um poder de compra acima da média, que procure uma experiência distinta e um serviço personalizado, num ambiente tranquilo.

As obras de recuperação do edifício arrancaram em 2015 e só terminaram há poucas semanas. Preservaram-se, tanto quando possível, os detalhes da construção original, da primeira metade do século XIX. O rés-do-chão, onde ficavam as cavalariças, mudou de função, ali fica, agora, a receção, o bar e uma sala para ler ou conversar. Nas ombreiras das portas ainda é possível ver as marcas deixadas pelas rodas das carruagens e a altura dos tetos denuncia o caracter prático que era dado aquela parte do palacete.

Para subir a um dos três pisos superiores, pode ir no elevador, bem disfarçado num nicho na parede de pedra, ou optar pela larga escada em caracol. Se escolher a segunda, não deixe de admirar o corrimão de madeira, magnificamente recuperado e não se esqueça de olhar para cima, para contemplar o belo trabalho de artesão que foi feito na claraboia.

Os 14 quartos, enormes, têm todos uma personalidade própria. Os da frente com vista para o casario da estreita rua de Camões, os das traseiras para os pátios do interior do quarteirão. Em todos os quartos há um quadro que remete para a carreira de João Sousa, coisa discreta, quem não souber do que se trata, nem se apercebe.

Os nomes dos quartos, para quem acompanha o ténis, denunciam um pouco mais a ligação com o campeão. Logo no primeiro andar, há um quarto nomeado por cada um dos quatro torneios do grand slam: Australian Open, Roland Garros, Winbledon, US Open. No segundo andar, os quartos têm nomes de torneios ATP 1000: Madrid, Roma, Xangai, Miami, Toronto. No terceiro andar, as três acomodações têm o nome dos três torneios conquistados por João Sousa: Kuala Lumpur (2013), Valência (2015), Estoril (2018).

As paredes dos corredores do edifício estão decoradas com fotografias que ilustram o processo de recuperação. É possível ver como a casa, em ruínas, foi, aos poucos, recuperando a sua glória. Há pormenores artísticos nesta recuperação, é o caso das pinturas nas paredes ou dos intricados tetos trabalhados em gesso.

Para não construir paredes além das que fazem parte da arquitetura original, as casas de banho são enormes baús de viagem, pousados nos quartos. Num dos alojamentos há uma parede que deixa ver o tabique, “para que os hóspedes possam perceber que nos esforçamos o mais possível por respeitar as técnicas de construção do período em que a casa foi feita”.

Apesar de se situar numa zona muito central da cidade, o Conquistador Palace esconde, nas traseiras, um generoso pátio com piscina. Sem estacionamento próprio, a solução passa por recorrer ao parque de estacionamento público de Camões, a um passo. O próprio parque de estacionamento é uma obra de arquitetura premiada a que vale a pena dar um segundo olhar.

Uma vez que está a cinco minutos a pé da praça de São Tiago, no Centro Histórico de Guimarães, não faltarão alternativas para comer ou para tomar um copo e ouvir música.