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2020. O ano em que o turismo travou a fundo

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Foto: Rui Dias / O MINHO

O setor do alojamento turístico, na Região Norte, registou 84.559 hóspedes e 138.023 dormidas, em janeiro de 2021, correspondendo a variações de -74,9% e -76,1%, respetivamente. Um cenário mau, mas apesar de tudo, um pouco melhor que o total nacional onde foram registados 308.381 hóspedes e 709.850 dormidas, que significam variações de -78,3% e -78,2%.

A permanência de hospedes, nacionais e estrangeiros, na hotelaria e outros alojamentos vinha a crescer de forma consistente, há vários anos. De cerca de 15 milhões, em 2013, passou para mais de 27 milhões em 2020, o número prometia ultrapassar os 30 milhões brevemente, se não tivesse acontecido a pandemia. Destes cerca de 27 milhões, em 2029, 5.837.026 foram permanências em hotelaria e outros alojamentos da Região Norte. Um número que baixou para os 2.492.805, em 2020, uma variação de -57,5%, um pouco abaixo da variação no total nacional, -61,27%.

Turismo em Braga. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO 

Na Região Norte, as dormidas de residentes vinham a crescer há vários anos. Em 2013, registaram-se 2.637.272 dormidas de residentes, em 2019, este número tinha subido para 4.314.067, um crescimento de 63,5%, em seis anos. Em 2020, face às limitações impostas ao setor pelas medidas decretadas para conter a pandemia de covid-19, inclusivamente a impossibilidade de circulação entre concelhos aos fins de semana, as dormidas de residentes decresceram para 2.746,556, uma quebra de 36,3%. A descida do número de dormidas de residentes foi ainda maior no Norte do que no todo nacional, onde a variação foi de -34,5%, face ao ano anterior.

Fonte: INE

No total nacional, as dormidas de residentes, comparando janeiro de 2021 com o mês homólogo de 2020, a variação foi de -60,3% e as dormidas de residentes no estrangeiro de 87%. Na Região Norte, a mesma comparação, aponta para uma redução de 59,6% das dormidas de residentes e de uma quebra de 89,6% nas dormidas de hóspedes residentes no exterior.

Fonte: INE

A limitação às viagens aéreas e o fecho de fronteiras fez mossa no setor do turismo

O panorama é ainda mais dramático quando se leva em linha de conta o decréscimo de dormidas de não residentes. A limitação às viagens aéreas e o fecho de fronteiras fez mossa no setor do turismo. Neste caso, em 2020, a Região Norte teve 1.666.407 dormidas, -74,3% que no ano de 2019, quando se registou o valor recorde de 6.496.645. Se parece mau, é ainda pior quando se

Fonte: INE

avalia o mesmo indicador a nível nacional. As dormidas de não residentes, em Portugal, decresceram de 49.051.832, em 2019, para 12.325.378, uma variação de -97,4%.

Praça da República, em Viana do Castelo. Foto: Divulgação / CM Viana do Castelo 

Contando as dormidas de residentes e não residentes, a região mais afetada pela quebra, na comparação entre janeiro de 2021 e o mesmo mês de 2020, foi a Área Metropolitana de Lisboa, com uma redução de 1.078.600 para 195.200, uma variação de -81,9%. Seguiram-se a Região Autónoma da Madeira, com -81,2% e o Algarve, com -80,6%. A Região Norte surge em quarto lugar nesta lista, com uma variação negativa de -76,1%, de 578.700 para 138.000 dormidas. A região menos afetada pela redução do número de dormidas foi o Alentejo, com uma quebra de 50,3%, de 129.000 para 52.400.

A permanência dos hóspedes na hotelaria e outros alojamentos também sofreu uma redução em 2020. No total nacional, a redução foi de 2,58 dias, em 2019, para 2,47 dias, em 2020. A Região Norte acompanhou esta descida com a estada média a fixar-se em 1,77 dias, quando, em 2019, era de 1,84 dias. As regiões autónomas lideraram esta redução. A estada média, na Madeira, baixou de 4,68 para 4,22 dias e, nos Açores, de 2,74 para 2,40 dias. Na Região Centro, na Área Metropolitana de Lisboa e no Alentejo, a permanência média dos hóspedes subiu, em 2020: de 1,78 para 1,89, de 2,15 para 2,22 e de 2,06 para 2,24, respetivamente.

Entre as tipologias mais afetadas pela redução do volume de negócios, quando se compara janeiro de 2021 e o mesmo mês do ano transato, estão as pousadas (-87,9%) e os hotéis-apartamentos (-87,1%), logo seguidos dos hotéis (-82%). Já os menos afetados são o alojamento local e o turismo (-63,4%) em espaço rural e de habitação (-54,2%).

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